"Me machuque com a pior verdade, mas não me iluda com a melhor mentira". Quem nunca leu essa frase que atire a primeira pedra. Melhor. Que atire a primeira pedra quem dela discorda.
Mentira - e verdade - é um assunto complicado. Todo mundo mente. Não há quem sobreviva socialmente sem fazer uso de ao menos uma omissão. A chamada "mentira branca". E curiosamente, não se encontra viv'alma que diga preferir viver na falsidade. A sinceridade é uma virtude, e muito valorizada. Basta ver quantos relacionamentos se perdem quando numa inverdade acaba a confiança. Mas por que então todo mundo mente, e mente pra todo mundo?
Mentimos pro cônjuge sobre aquela viagem de negócios. Mentimos pros pais sobre aquela festinha. Mentimos pro chefe sobre aquele trabalho atrasado. Mentimos pro guarda de trânsito sobre os documentos do carro. Mentimos pra entrevista a nossa verdadeira idade. E sobretudo, mentimos pra nós mesmos, ao suavizar pensando "foi necessário".
"Foi necessário."
Será que nossa ética está tão falha, tão gasta, que não podemos ser sinceros nas nossas reais intenções sem ser vistos com maus olhos - e muitas vezes merecidamente?
Ou será que, num lapso de bom senso, construímos uma sociedade tão repressora, que precisamos ocultar nossos desejos somente para fazer parte de um padrão com o qual todos sofrem, e ninguém se levanta contra?
Se a realidade é que somos de fato anti-éticos, há muito a se fazer. Triste é saber que se alguém se conforta num papel que causa dor a outrem - porque mentira, quando descoberta, DÓI -, dificilmente se importará em tentar melhorar. Mais triste ainda é saber que às vezes, a culpa não é de ninguém. Afinal, ninguém se constrói sozinho.
Se o que ocorre é a segunda hipótese -e assim espero que seja -, não seria melhor sermos sinceros conosco? Confessar nossas falhas e vontades? Quem sabe, ao confessar, o outro perceba que não está sozinho. Quem sabe ninguém confessou por medo de ser ridicularizado, de ser o único estranho nesse ninho padronizado.
Mas quem sabe. Quem sabe não começamos a dizer a verdade pelo menos pra nós mesmos.
Quem sabe...
Beijosbeijos Mil, Elen ;)